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Em Anápolis, encontro do CRCGO conecta valorização profissional a mudanças que já alteram a rotina contábil

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Em Anápolis, encontro do CRCGO conecta valorização profissional a mudanças que já alteram a rotina contábil

O Conselho Regional de Contabilidade de Goiás (CRCGO) realizou, nesta sexta-feira (14/08), na Universidade Evangélica de Goiás (UniEvangélica), em Anápolis, o 13º Encontro Regional do Centro-Oeste Goiano. A programação reuniu profissionais da contabilidade, estudantes, empresários e representantes de instituições para discutir questões que já interferem diretamente na rotina dos escritórios e das empresas, como formação de honorários, segurança contratual, riscos psicossociais no ambiente de trabalho, uso da Inteligência Artificial e implementação da Reforma Tributária do Consumo. Esta foi a quarta vez que Anápolis recebeu o encontro.

Os Encontros Regionais do CRCGO estão de volta ao calendário de atividades do Conselho e, ao longo dos próximos meses, percorrerão diferentes regiões de Goiás, ampliando a oferta de capacitação e a aproximação com os profissionais do interior. Para representar o Centro-Oeste Goiano nesta retomada, Anápolis foi a cidade escolhida para sediar a primeira edição de 2026, reunindo profissionais, estudantes e representantes da classe contábil de toda a região.

Na abertura, o presidente do CRCGO, Marcelo Cordeiro, destacou que aproximar o Conselho dos profissionais também passa por colocar em debate situações concretas enfrentadas na prestação dos serviços contábeis. “Quando falamos em valorização profissional, precisamos trazer essa discussão para aquilo que acontece todos os dias dentro dos escritórios: quanto vale um serviço técnico, o que precisa estar bem definido em contrato, até onde vai a responsabilidade do profissional e de que maneira podemos construir uma relação mais segura com o cliente. O contador trabalha com informações que interferem diretamente na vida das empresas. Esse trabalho precisa ser reconhecido na mesma proporção da responsabilidade que carrega”, afirmou Marcelo.

Para o vice-presidente de Desenvolvimento Profissional do CRCGO, Henrique Ricardo Batista, a diversidade de temas foi pensada justamente para acompanhar a velocidade das transformações enfrentadas pela categoria. “Em um intervalo muito curto, o profissional da contabilidade passou a lidar com novas exigências da Reforma Tributária, mudanças trabalhistas e uma Inteligência Artificial que já chegou aos escritórios. Desenvolvimento profissional hoje exige mais do que conhecer uma norma depois que ela está pronta. Precisamos preparar o profissional para entender o que está mudando, avaliar como aquilo chega ao cliente e tomar decisões com segurança”, pontuou Henrique.

A proposta do encontro é uma das ações do CRCGO para levar capacitação profissional a diferentes regiões do estado. A edição de Anápolis contou com apoio do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e da UniEvangélica, e reuniu uma programação técnica ao longo de todo o dia.

Valorização profissional passa por preço, contrato e responsabilidade

A programação técnica começou com o painel “Valorização Profissional em Debate: Precificação, Contratos e Fiscalização”, com a participação do presidente, Marcelo Cordeiro; do vice-presidente de Assuntos Políticos e Institucionais do CRCGO e vice-presidente da Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg), Francisco Canindé Lopes; do vice-presidente de Desenvolvimento Profissional do CRCGO, Henrique Ricardo Batista; e da ex-presidente do CRCGO (2022 – 2025), Sucena Hummel.

O debate parte de uma questão que vai além da definição de honorários. Precificar um serviço contábil envolve dimensionar tempo, estrutura, complexidade da operação, responsabilidade técnica e escopo do trabalho contratado. Nesse cenário, contratos bem estruturados também ganham importância para estabelecer o que será entregue, os prazos, as responsabilidades das partes e os limites da prestação do serviço.

A fiscalização profissional completa essa discussão ao atuar sobre o exercício regular da profissão e o cumprimento das normas que cercam a atividade contábil. Assim, valorização deixa de ser tratada somente como reconhecimento simbólico e passa por condições concretas para que o profissional consiga prestar um serviço tecnicamente responsável e economicamente sustentável.

Inteligência Artificial chega à rotina contábil e muda o tipo de trabalho realizado

No período da tarde, a programação seguiu com “IA Aplicada a Negócios”, ministrada pelo contador, empresário e mentor Ricardo Bomgiorno. O tema coloca em discussão uma tecnologia que deixou de ocupar apenas o campo das tendências para entrar na operação diária de empresas e escritórios.

Em abril deste ano, o Conselho Federal de Contabilidade, a Federação Nacional das Empresas de Contabilidade (Fenacon) e a Informações Objetivas (IOB) lançaram uma pesquisa nacional justamente para mapear o nível de adoção da Inteligência Artificial entre profissionais da contabilidade, além dos desafios e oportunidades associados ao uso dessas ferramentas. A iniciativa mostra que a discussão já chegou à rotina da categoria e passou a demandar respostas institucionais e profissionais.

Entre as mudanças já observadas estão a automação de rotinas, o cruzamento de grandes volumes de dados, a identificação de inconsistências e a produção mais rápida de análises. Esse avanço, porém, aumenta a importância de uma etapa que continua humana: interpretar o resultado, verificar a qualidade da informação e assumir responsabilidade pela decisão tomada a partir dela. O próprio CFC tem apontado essa transição para uma atuação em que o profissional dedica menos tempo à execução mecânica e ganha espaço em funções analíticas e estratégicas.

“Para a contabilidade, portanto, o debate sobre IA já não se resume à pergunta sobre quais tarefas uma ferramenta consegue executar. Envolve compreender onde a tecnologia gera eficiência, quais informações podem ser confiadas aos sistemas e em quais momentos o julgamento técnico do contador se torna ainda mais necessário.” concluiu Ricardo.

NR-1 leva riscos psicossociais para a gestão das empresas

A segunda palestra do encontro foi “NR01 e Riscos Psicossociais”, conduzida pela advogada trabalhista, empresarial e previdenciária Juneir Alves de Souza Goetz.

O assunto ganhou uma nova dimensão em 2026. Desde 26 de maio, está em vigor a nova redação do capítulo da NR-1 que trata do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. A norma passou a incluir expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho dentro do GRO. O gerenciamento deve ser formalizado por meio do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), que reúne, entre outros elementos, o inventário de riscos e o plano de ação da organização.

Na prática, a mudança coloca a organização do trabalho no centro da análise preventiva. O tema deixa de estar restrito a uma discussão abstrata sobre bem-estar e passa a integrar a lógica de identificação, avaliação e controle dos riscos presentes no ambiente profissional.

“Para empresas e profissionais que acompanham rotinas trabalhistas, a mudança exige atenção à documentação, aos processos internos e à integração entre gestão, recursos humanos e profissionais responsáveis pela segurança e saúde no trabalho. A própria regulamentação estabelece o gerenciamento como um processo contínuo, o que amplia a importância do acompanhamento das condições reais de trabalho e das medidas adotadas pelas organizações.” pontuou Juneir.

Reforma Tributária chega ao encontro em plena fase de adaptação

A última palestra da programação abordou a “Reforma Tributária na Prática”, apresentada pelo auditor tributário, professor e coautor de livros, Edgar Madruga. O encontro ocorre justamente em um dos períodos mais movimentados da implantação do novo modelo de tributação sobre o consumo.

Desde 3 de agosto, diferentes documentos fiscais eletrônicos entraram no cronograma de implementação relacionado ao IBS e à CBS. A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS estabeleceram datas específicas para documentos como NF-e, CT-e, BP-e, MDF-e e outros, levando empresas, escritórios contábeis e desenvolvedores de sistemas a uma etapa essencialmente operacional da Reforma Tributária.

Ao mesmo tempo, a administração tributária optou por uma transição gradual. No início de agosto, Receita Federal e CGIBS informaram que as regras de validação seriam flexibilizadas para evitar a rejeição de documentos fiscais pela ausência dos campos de CBS e IBS durante essa fase de adaptação.

A discussão ficou ainda mais atual nesta semana. Na quinta-feira (13/8), um dia antes do Encontro Regional, a Receita Federal divulgou a regulamentação do Programa Nacional de Conformidade Tributária para 2026. O programa prevê acompanhamento das inconsistências encontradas nos documentos fiscais, comunicação aos contribuintes e possibilidade de correção antes da adoção de medidas mais gravosas. Entre as condições previstas está a manutenção de profissional da contabilidade responsável pela conformidade fiscal da empresa. Com autorização do contribuinte, o contador também poderá receber diretamente comunicações da Receita Federal e do CGIBS para acompanhar erros e orientar a regularização.

“Esse cenário ajuda a dimensionar por que a Reforma Tributária ocupa espaço central na agenda da profissão. A mudança não está restrita às novas siglas ou à substituição gradual de tributos. Ela alcança sistemas, emissão de documentos, cadastro de produtos e serviços, processos internos, contratos e a própria relação entre empresas e seus profissionais da contabilidade.” encerrou Edgar.

Articulação institucional e escuta das demandas regionais

Durante o evento, o presidente do CRCGO, Marcelo Cordeiro, também se reuniu com conselheiros da entidade e representantes do Conselho em diferentes municípios de Goiás. O encontro foi voltado ao alinhamento de posicionamentos institucionais e, principalmente, à escuta das demandas apresentadas pelos profissionais da contabilidade das diversas regiões do estado, fortalecendo a atuação integrada do Conselho e a aproximação com a realidade vivenciada pela classe contábil goiana.

Ao reunir esses assuntos em uma mesma programação, o 13º Encontro Regional do Centro-Oeste Goiano coloca em perspectiva diferentes transformações que chegam simultaneamente à atividade contábil. Da precificação de um serviço à adaptação de sistemas para o IBS e a CBS, o ponto em comum está na necessidade de profissionais capazes de compreender as mudanças antes de transformá-las em orientação para empresas e clientes.

Estiveram também presentes no encontro, o presidente da Juceg, Euclides Barbo, o presidente do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás (TCM), Joaquim Alves de Castro, o presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Distrito Federal, Darlan de Lima Barbosa, o vice-presidente de Registro do CRCGO, Francisco de Assis de Lima, o vice-presidente de Fiscalização, Ética e Disciplina do CRCGO, Ranniel Martins Silva, o conselheiro do CRCGO, Otávio Martins, os conselheiros suplentes do CRCGO, José Gilmar, Anderson Carlos, e Silvanete Bárbara, o superintendente do CRCGO, Rafael Linhares, o secretário Municipal de Indústria, Comércio e Serviços de Trindade e também representante do CRCGO no município, José Maria Vieira, o diretor da Receita da Prefeitura Municipal de Anápolis, Erick Azevedo Monte, a presidente do Sindicato dos Contabilistas de Anápolis, Rejane Alves dos Santos, o coordenador e professor do curso de Ciências Contábeis da UniEvangélica, Ieso Costa Marques, o coordenador do curso de Ciências Contábeis da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Célio de Sousa Ramos Jr., o conselheiro da Associação Educativa Evangélica e contador, Francisco Barbosa de Alencar, representantes do CRCGO de outros municípios do estado de Goiás, além de profissionais contábeis da região, empresários e alunos de ciências contábeis.

Confira todas as fotos do evento aqui.

A reprodução deste material é permitida desde que a fonte seja citada.
Comunicação CRCGO, Vitor Carvalho.

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