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Fiscalização do CRCGO passa por treinamento técnico com foco nas normas contábeis para Microentidades e Pequenas Empresas

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Fiscalização do CRCGO passa por treinamento técnico com foco nas normas contábeis para Microentidades e Pequenas Empresas

Com o objetivo de atualizar o corpo técnico e aprimorar a qualidade das atividades de orientação e fiscalização em Goiás, a equipe do departamento de Fiscalização do Conselho Regional de Contabilidade de Goiás (CRCGO) participou, entre os dias 2 e 3 de junho, de um treinamento intensivo sobre as normas NBC TG 1002 (Contabilidade para Microentidades) e NBC TG 1001 (Contabilidade para Pequenas Empresas). A atualização, realizada na sede da autarquia, foi promovida pela Ganplo Escola de Negócios Contábeis, e reuniu diretores, conselheiros, fiscais e assessores para alinhar os procedimentos de fiscalização mercantil diante dos normativos vigentes para empresas de menor porte.

A iniciativa visa preparar a equipe interna para os desafios práticos trazidos pela simplificação dessas normas. O vice-presidente de Fiscalização, Ética e Disciplina do Conselho, Ranniel Martins, destacou a importância de manter os fiscais atualizados, em consonância com as diretrizes do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), para realizar uma abordagem equilibrada perante a classe contábil. “O nosso papel institucional vai muito além de apenas punir; ele é essencialmente orientador e preventivo. Atualizar o corpo técnico do CRCGO sobre as normas garante que a nossa fiscalização atue com o máximo de precisão técnica. Não existe governança corporativa sem uma contabilidade fortalecida. Ao assegurarmos o cumprimento dessas diretrizes simplificadas, ajudamos a combater o analfabetismo contábil e protegemos o ambiente de negócios em Goiás”, afirmou o vice-presidente.

Para a gestão interna do Conselho, a uniformidade na interpretação dos relatórios financeiros traz maior segurança para os profissionais registrados e para a sociedade. O superintendente do CRCGO, Rafael Linhares, enfatizou que a capacitação técnica reflete diretamente na transparência institucional do Órgão. “Investir na qualificação contínua dos nossos funcionários é a chave para manter a excelência do Conselho. Normas como a 1001 e a 1002 trazem regras mais claras e reduzem de forma expressiva a subjetividade e o poder discricionário na aplicação dos balanços.”, ponderou. Ainda de acordo com Linhares, com uma equipe interna bem preparada, o CRCGO consegue entregar um retorno ainda mais transparente e ágil para os profissionais registrados e para toda a sociedade.

Na rotina de campo e nas análises documentais do departamento, as novas métricas de faturamento e obrigatoriedades exigem atenção redobrada. O coordenador do departamento de Fiscalização, Louis de Oliveira, explicou os impactos diretos do treinamento na rotina de sua equipe. “Para o departamento, esse treinamento foi fundamental. Lidar com as especificidades do faturamento e das exigências de microentidades e pequenas empresas é a nossa rotina diária. Compreender com clareza as simplificações dessas normas, como a desobrigação do fluxo de caixa e de notas explicativas robustas para as microempresas, eleva o nível das nossas vistorias e baliza o mercado contábil de forma justa”, pontuou o coordenador.

Contabilidade guardiã da sociedade

Responsável por conduzir a imersão, o palestrante Marcelo Aquino defendeu o papel estratégico do profissional contábil como garantidor da conformidade no ambiente empresarial e elogiou a iniciativa do Conselho em capacitar seus próprios agentes. “O propósito da capacitação é desenvolver profissionais que atuem como guardiões da integridade empresarial. A escrituração contábil não é uma escolha, é uma obrigação legal. Ao debater as diferenças práticas entre os dois normativos, preparamos os fiscais para identificar possíveis falhas ou omissões. Uma contabilidade desorganizada é um terreno fértil para erros, fraudes ou atos ilegais, e o profissional da contabilidade precisa assumir uma posição de absoluto protagonismo na governança”, alertou Aquino.

Na ponta da operação, quem vivencia a realidade das empresas goianas celebra o suporte técnico oferecido pela autarquia. O fiscal do departamento de Fiscalização, Rondinelly Carvalho, pontuou como os conceitos discutidos clareiam as tomadas de decisão durante as fiscalizações itinerantes. “No dia a dia da fiscalização de campo, nos deparamos com realidades muito diversas. Esse treinamento trouxe respostas práticas para o nosso trabalho. Entender onde termina o limite da NBC TG 1002 e onde começa a obrigatoriedade da 1001 nos dá muito mais segurança jurídica e técnica na hora de avaliar os livros mercantis, garantindo que o profissional na ponta esteja entregando uma informação confiável e de qualidade”, concluiu o fiscal.

Também acompanharam as atividades os conselheiros e membros da Câmara de Fiscalização, Márcio Gomes e Daniel Invernizzi; o funcionário do departamento, Rosemar Henrique de Moura; e o assessor jurídico do conselho, Adriano Naves. O treinamento segue com mais duas rodadas nos próximos dias.

Conteúdo técnico

Na prática, o treinamento funcionou como um mapa para guiar os fiscais pelas regras que mudaram a contabilidade no país. O ponto de partida foi entender que o tamanho do faturamento da empresa é o que define qual regra ela deve seguir. As chamadas microentidades (empresas que faturam até R$ 4,8 milhões por ano) seguem a NBC TG 1002, que eliminou burocracias pesadas. Para elas, a contabilidade ficou muito mais simples: basta apresentar o Balanço Patrimonial, a Demonstração do Resultado (DRE) e o relatório de Lucros ou Prejuízos Acumulados. Elas ficaram totalmente livres de obrigações complexas, como montar o relatório de Fluxo de Caixa ou escrever aquelas longas páginas de notas explicativas que costumam confundir quem não é da área. Já as pequenas empresas (que faturam entre R$ 4,8 milhões e R$ 78 milhões anuais) entram na regra da NBC TG 1001, que exige um pouco mais de detalhamento.

Indo além dos números, a equipe de fiscais do CRCGO compreendeu em como avaliar se as informações que as empresas entregam são realmente úteis e confiáveis. Os participantes debateram pilares como a clareza dos relatórios, a relevância dos dados para o dono do negócio tomar decisões e o cuidado para não mascarar a real situação financeira da empresa. Uma das discussões mais importantes foi sobre o conceito de “olhar para a essência do negócio e não apenas para o papel”. No caso das pequenas empresas, a fiscalização aprendeu a checar se um contrato foi contabilizado pelo seu impacto financeiro real no dia a dia, e não apenas pela sua aparência jurídica legal. Essa diferença de olhar ajuda o fiscal do CRCGO a fazer uma avaliação muito mais justa e humana na hora de vistoriar empresas de portes diferentes.

A reprodução deste material é permitida desde que a fonte seja citada.
Comunicação CRCGO, Kamilla Lemes

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